p.s : onde estás?

Sinto um enorme vazio que me bloqueia. Necessito de tantos algos para me preencher. Parece que anda tudo a fugir-me pelas mãos, parece que tudo passa por elas, e nada consigo agarrar.
Estou a morrer aos poucos, vivo de espólios de memórias que por vezes me matam e outras vezes me ressuscitam. Já vivi tantas vidas, mas parece que isso pouco me vale.
Chega a noite e aqui estou eu: só! Só em pessoa, e ocupo-me vivendo em quimeras, para me sentir acompanhada, com vida, onde posso partilhar sorrisos e emoções.
Sonho em voar, porém as minhas asas nunca mais crescem!
Se a realidade física fosse a minha realidade platónica, tudo seria tão diferente, inclusive eu!

P.S: onde estás?


os loucos sem coordenadas

Somos loucos sem coordenadas, como ela o diz! E no fundo assim o somos!
Sofremos, muitas das vezes, por antecipação, que nos desorientam, e desta forma não ficamos definidos no espaço, alcançando uma cota de mais infinito, abcissa e ordenada zero.
Voamos em devaneios sobre um eixo perpendicular à realidade. Porém, por esses devaneios serem de um grande alcance(infinito), não podemos ter a noção dessa realidade, pois ela é nula!
Somos indefinidos, e procuramos definir-nos. Tentamos mas não conseguimos. Falhamos e voltamos a falhar.
Acreditamos que haja um eixo colinear às nossas referências, e que se intersecte num dado ponto, num valor absoluto, em que o infinito coincida com ele. Ao coincidir já temos um ponto definido, mas está no auge! E será isso bom ou mau?
Se pensarmos estar longe da realidade, será bom, se isso nos fizer felizes; porém essa cota não passa de uma quimera, e quando ela se ioniza atinge valores negativos, que nesse momento está mais perto do eixo da realidade, o que depois sobe e a cota atinge valores mais altos, até por fim se anular. Aí estamos definidos: não somos nada!


[reflexão sobre a frase de autoria de Raquel Serra : "Somos loucos sem coordenadas"]

I want it more than ever

Tenho necessidade e saudades de tirar fotografias, mas não posso. :(


Divisão

Sinto-me dividida pelas minhas escolhas. Ainda tenho tempo para decidir definitivamente o que realmente quero, mas há gostos que me atacam com muita intensidade. Música sempre foi a maior paixão que eu tive/tenho, mas por vezes esse sentimento ganha forma e outras vezes dissipa-se do nada, mas volta, mais tarde. No fundo nunca desaparece, parece que foge de mim para eu reflectir se ela me faz falta ou não, mas claro que sim! Sem música a minha inspiração acaba, a minha escrita torna-se fria, eu NÃO SOU NADA! Mas penso, será que quero fazer disso profissão? O QUANTO EU GOSTAVA!, mas para além de ser a minha maior paixão, eu tenho outras paixões, e não sou capaz de as deixar para trás, como fotografia, artes performativas, cinema...
Como sou invadida de imensos gostares, descobri que a melhor forma de ser um pouco de tudo, ou fazer um pouco de tudo pode ser através do Cinema: uma arte de grande intelecto, de grandes temáticas, de grandes mentes, a combinação perfeita de imagem e som, com sensações e que conseguem captar a atenção do público e move-los. Mas para ambas as (mais do que) possíveis decisões é necessário ser GRANDE! Grande ao ponto de ser mesmo bom! De ser dotado de talentos e ser aclamado pelo que se faz; E eu quero isso! Quero ser boa, quero ser grande, quero ser ARTISTA!
Quando a música acaba, acaba-se a inspiração!
Palavras não chegam, pelos vistos, é necessário mais, muito mais: acções! Que por vezes não devem ser tão racionais!